27/05/2026

BNDES vende ações da Petrobras para atender regra do BC, diz Mercadante

Por: Paula Martini
Fonte: Valor Econômico
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Aloizio Mercadante, disse que a instituição vendeu parte das ações da
Petrobras que detém em carteira. A venda teve o objetivo de atender regra do
Banco Central (BC) que impede as instituições financeiras de concentrarem mais
de 25% de seu patrimônio em uma única empresa ou grupo econômico.
Mercadante não detalhou a operação.
Segundo a Reuters, o banco começou, em maio, um processo de venda de
participações societárias na Petrobras e na Axia (antiga Eletrobras). Até o
momento, a BNDESPar, braço de participações do banco, se desfez de cerca de
R$ 3 bilhões em ações de Petrobras e de mais de R$ 500 milhões em papéis da
Axia, de acordo com a agência. Também teria ocorrido a venda de R$ 280 milhões
em ações da Copel.
Mercadante não comentou os valores das operações. No caso da Petrobras,
ressaltou que o banco ficou no limite das obrigações regulatórias em função da
valorização das ações preferenciais da companhia no primeiro trimestre de 2026.
O papéis subiram 42,57% entre 1 de janeiro e hoje, segundo o Valor Data.
A Petrobras representa a maior fatia da carteira da BNDESPar. A estatal equivalia
a 45,64% da carteira de renda variável do BNDES em 31 de março deste ano,
último dado disponível. Em segundo lugar aparecia JBS (16,5%), seguida de Axia
(12,1%) e Copel (8,1%).
“A gestão anterior [no governo Bolsonaro] vendeu muito capital variável e
concentrou demais as ações. Entre essa concentração está a Petrobras, que teve
uma valorização muito forte no primeiro trimestre. Então, nós estamos com risco
de romper esse teto”, disse Mercadante a jornalistas.
O presidente do BNDES ressaltou que a saída de empresas “maduras” segue no
radar da instituição. “Estamos reciclando a carteira para financiar novas
atividades”, afirmou.
No ano passado, o banco anunciou que sairia de setores tradicionais para
fomentar atividades estratégicas, como transição energética e inovação.